viernes, 21 de agosto de 2009

1953- Capoeira como Arte Marcial Oficial


dibujos:Método Zuma


Graças ao trabalho desenvolvido por Annibal Burlamaqui, estruturando os Departamentos de Luta Brasileira (Capoeiragem), nas Federações Estaduais de Pugilismo, em 1953, o governo brasileiro expediu a Deliberação 071/53 do Conselho Nacional de Desportos – CND, órgão do Ministério da Educação e Saúde Pública. Esta medida que tinha como objetivo exercer um controle sobre o cidadão que praticava atividades esportivas, em especial as Artes Marciais, enquadrando a Capoeira nesta categoria, determinava o cadastramento de todos os seus praticantes e sua comunicação aos órgãos governamentais. Esta medida, a despeito da sua natureza, caracterizou o segundo reconhecimento oficial da Capoeira como uma modalidade desportiva.


.......................O Método de Zuma, como vimos, tinha o nome de “Ginástica Nacional” e deu origem à “Luta Brasileira”. Embora sejam diferentes os conceitos de “Ginástica” e de “Luta”, ocorre que ambas provinham da mesma orientação: civilizar e difundir a Capoeira. Bimba, utilizando-se deste método e fazendo uso da legislação de sua época, registrou sua academia na Inspetoria do Ensino Secundário e Profissional da Secretaria da Educação, Saúde e Assistência Pública, do Estado da Bahia, obtendo em 09 de julho de 1937, o Alvará n° 1117, para o funcionamento de sua academia como Curso de Educação Física, sob o nome de “Centro de Cultura Física e Luta Regional”. Ou seja, a Capoeira, que na década anterior já estava liberada pela polícia no Rio de Janeiro, sob o nome de “Luta Brasileira”, agora estava registrada em Salvador sob o nome de “Luta Regional”. Desta forma um modelo desportivo nacional fora registrado por Bimba como sendo regional. Iniciou-se, a partir de então grandes desentendimentos sobre a mesma.
Esta situação de registro na capital nacional como “nacional” e nas demais capitais como “regional” era comum naquele período histórico. Este fato foi registrado no Jornal Diário da Bahia, na sua edição de 13 de março de 1936, na matéria: “Titulo Máximo da Capoeiragem Bahiana”, onde Bimba, dá uma longa entrevista acerca de seus desafios públicos na divulgação da chamada Luta Regional. Da mesma destacamos o seguinte trecho: “Falando sobre o actual movimento d’aquele ramo de lucta, genuinamente nacional uma vez que difere bastante da Capoeira d’angola, o conhecido Campeão (Bimba) referindo-se a uma nota divulgada por um confrade matutino em que apparecia a figura do Sr. Samuel de Souza. Do Bimba, de referência aos tópicos ouvimos: Ao som do berimbau não podem medir forças dois capoeiras que tentem a posse de uma faixa de campeão, e isto se poderá constatar em Centros mais adiantados, onde a Capoeira assume aspectos de sensação e cartaz. A Polícia regulamentará estas exibições de capoeiras de acordo com a obra de Aníbal Burlamaqui (Zuma) editada em 1928 no Rio de Janeiro... Antes de deixar a nossa redação Bimba, apresentou-nos um seu discípulo Manoel Rozendo Sant’ana, que aproveitou para lançar de público um desafio ao Sr. Samuel de Souza para uma lucta pelas normas traçadas pela direção do Parque Odeon, conforme se tem verificado 8”.

Nesta reportagem existem alguns itens que merecem uma atenção mais detalhada:
 A confirmação da influencia de Zuma no trabalho implantado por Mestre Bimba;
 O reconhecimento de Bimba ao trabalho de Zuma

 A afirmação de Bimba existia Centros mais adiantados em Capoeira que a Bahia, no caso, a Cidade de Rio de Janeiro;
 O interesse de Bimba pela prática desportiva da “Luta Nacional”;
 A integração de seu discípulo nesta inovação9;
 A adoção do regulamento de Zuma pela direção do Parque Odeon, onde se realizavam tais apresentações;
 A liberação pela polícia, daquela forma de luta já existente no Rio de Janeiro.

8 Diário da Bahia. Salvador 13 de março de 1936. http://saladepesquisacapoeira.blogspot.com/2009/05/declaraciones-de-bimba-1936-1303-diario.html

Fuente: Annibal Burlamaqui - Patrono

Mario Lago y sus amigos Malandros

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NOTA DEL PESQUISADOR: En la década de 1930 se conocía a MIGUELZINHO DA LAPA como campeón Sudamericano de CAPOEIRA .
Lapa do desterro e do desvario: uma antologia - Resultado de la Búsqueda de libros de Google
de Isabel Lustosa, Aluísio de Azevedo - 2001 - Brazilian literature - 225 páginasEra parceiro inarredável de Meia-Noite o campeão sul-americano de capoeira Miguelzinho da Lapa. Ao enterro de Meia acorreram, a rigor, todas as variedades

MARIO LAGO


Ator e compositor -VEJA-RIO No 436º
"Nasci na Rua do Resende, em 1911, e na infância e na juventude minha vida se limitava ao Centro da cidade. Se me perguntassem àquela época como era a Tijuca ou Copacabana, eu não saberia responder. Meu pedaço nos anos 20 era a Avenida Rio Branco. Lá, as mocinhas faziam footing à tarde e os gabirus ficavam na calçada vendo a movimentação............................................


Nos anos 40 freqüentei a Lapa. Fiz amizades com malandros de então, como Elias Naval, Miguelzinho da Lapa e Felipe Bonitinho. Fiz o que pude. Não foi uma vida jogada fora. Fui feliz, sou feliz e continuarei feliz."


http://veja.abril.com.br/vejarj/070301/capa10.html
ARTÍCULO:
O passado da Lapa
Publicado originalmente por Álvaro Costa e Silva em 27/09/04.
..........Nessa época, os famosos malandros - Joãozinho da Lapa (que se dizia filho de um general do Exército), Camisa Preta (que só usava camisas dessa cor), Flores, Meia-Noite, Miguelzinho da Lapa - já teriam aposentado as navalhas. Pelo menos a julgar pelo que escreve Luís Martins no "Noturno", que saiu em 1964, feito a convite de Guilherme Figueiredo para a coleção comemorativa do IV Centenário do Rio de Janeiro, da editora Civilização Brasileira: "A Lapa sempre teve - e creio que tem ainda hoje - uma lamentável fama de lugar perigoso, antro de malandros, bandidos, desordeiros, marginais (...) - e o cidadão pacífico e desprevenido, que se perde por aquelas paragens, arrisca-se a levar uma facada sem saber por quê, ou um tiro sem saber de onde. Durante anos, eu freqüentei quase todas as noites a Lapa, bebi em seus bares, dancei em seus cabarés, perambulei por seus becos - e nunca vi nada disso".É o mesmo que afirma Millôr Fernandes, que dos 16 aos 20 anos morou na Rua das Marrecas. "Nunca vi, na Lapa dos cabarés, dos bares, dos clubes carnavalescos, dos bambambãs e dos turunas, um assassinato, um assalto, uma briga - olhem, nem mesmo uma bofetada", garante o humorista, que diz ter inventado, para um musical escrito nos anos 1960, uma cena de balé em que Madame Satã enfrenta toda uma patrulha da Polícia Especial, muito temida durante o Estado Novo. Mais tarde, o travesti-malandro, com imensa cara-de-pau, confirmou o fato em entrevista ao "Pasquim".
http://portalliteral.terra.com.br/artigos/o-passado-da-lapa

Memória Globo - Rede Globo -


Meu nome no registro é Mário Lago. Mas eu ia me chamar Mário de Pádua Jovita Corrêa ..... Conheci o Elias Naval, o Felipe Bonitinho, o Miguelzinho da Lapa.


Entrevista com Mário Lago - Contracampo
Quando Felipe Bonitinho chegou, papai saiu do palanque e foi falar com ele: ... aí eu tava na bilheteria conversando com o pessoal: "Mário Lago, Mário Lago.

Na rolança do tempo‎ - Página 106 de Mário Lago - 1976 - 294 páginas
"Ah, sim, o Felipe Bonitinho. Lembro, lembro. Andou matando uns cinco ou seis. ... Felipe Bonitinho já era um fantasma em suas recordações. ...
Mário Lago: boemia e política‎ - Página 54 de Mônica Pimenta Velloso - 1998 - 402 páginas
... Joãozinho da Lapa e Felipe Bonitinho. Certa ocasião, o maestro ...

1772-Santos-Prohibición de "gonçalinhas"-Umbingadas,Congadas,luchas y Uruncongos

Por Francisco Martins dos Santos(Fundador do Instituto Histórico e Geogr. de Santos,da Sociedade de Homens de Letras do Brasil.
Santos também teve festas de São Gonçalo"...mourão é pau, aranha é bicho, pinto é pinto..."
A tradicional festa que ainda subsiste em vários estados brasileiros também foi registrada em Santos, no século XVIII, como relatou o pesquisador Francisco Martins dos Santos, na edição de 26 de março de 1944 do jornal santista A Tribuna (grafia atualizada nesta transcrição):No século dezoito não havia carnaval no Brasil. O virus da pagadoeira ainda não se inoculara no sangue do nosso povo e Momo I e Único ainda não descobrira a terra cabralina mas, em alguns lugares, as festas de São Gonçalo eram o próprio Carnaval de agora, um pouco agravado em suas características, o que não deixa de ser lisongeiro para o mal falado século XX.
São Gonçalo era o santo das danças e das festas ruidosas, incluindo-se nessas festas as cavalhadas. Em Santos não havia cavalhadas, mas havia coisa melhor, mais divertida, e na altura de 1770, as "gonçalinas" eram mais do que tudo aquilo, eram o pretexto para certos excessos, para a bacanal, a folia rasgada e desabusada em que se metiam, por dois ou três dias, brancos e negros, pardos e marabás, rameiras e moças do povo, e também as grã-finas da época, as sinhazinhas ricas, que o vulgo em geral só via nas missas domingueiras, tal o seu recato, e todos seduzidos pelo raro encanto daqueles dias e daquelas noites.
........................"A brincadeira passa da rua para dentro das casas e de dentro das casas para a rua, culminando com uma tal de umbigadas que vai ao som de uma banda de música, misturada com vários instrumentos africanos, realizada na praça, e que é verdadeiramente inesquecível.
........................A fama das brincadeiras santistas cresceu tanto, pois tantas foram as liberdades tomadas a cada ano que, em 1772, o capitão-general d. Luiz Antônio Mourão, prevendo o pandemônio da vila litorânea, naturalmente sob influência de queixas religiosas e políticas, provendo ao decoro do seu governo, baixou ao comandante da Praça Militar de Santos, Aranha Barreto, e ao juiz de fora, José Gomes Pinto de Morais, uma ordem severíssima e terminante, datada de 27 de dezembro.
Dias antes da festa tradicional, afixavam-se em vários pontos da vila santista cartazes contendo a ordem do governador da Capitania e faziam-se vários bandos oficiais alusivos à proibição, dizendo isto, que os Documentos Interessantes consignam:
"O snr. capitão general d. Luiz Antônio de Souza Botelho Mourão, faz saber ao povo desta Vila que de nenhuma forma consentirá nos festejos de São Gonçalo, barulhos que se façam estranháveis e repreensíveis, e só permitirá aqueles que forem lícitos ao público, e de máscaras para honra e louvor do mesmo santo com aquele sossego, decência e seriedade que deve haver em semelhantes festividades, por lhe constar que em tais festejos nesta vila andam em chusmas, de noite e de dia pelas ruas, homens e mulheres, do que podem seguir-se ações indecorosas que não devem praticar-se nem consentir-se entre católicos (SIC).
(a) Francisco Aranha Barreto
(a) José Gomes Pinto de Moraes".
O bando estourou como uma bomba nos arraiais da vila santista. O Campo da Misericórdia já estava preparado para o último arranco da folia, exatamente a famosa Dança das Umbigadas, à noite, com fogueiras em torno, bandeirolas, fogos e luminárias de bambu a azeite de peixe da Bertioga.
Os foliões, que incluíam congadas e lutas simuladas de índios e bandeirantes em seus folguedos, ficaram desolados com a notícia, mas pouco resolvidos a cumprir a determinação do governador.
Foi chegando o dia. Chegou. Toda a vila ficou cheia de zumbos, tutúques e retuntuns. Abolia-se o trabalho, voluntário ou não. Urucungos gemiam desde a madrugada, nos fundos de quintais com o despertar dos negros. Atabaques e timutus logo os secundariam, respondidos ao longo pelos corimbós, enquanto as cantigas sensuais dos homens da senzala iam tomando corpo como uma liturgia africana, com pinceladas de velório e matanga. Nas ruas logo apareceram os primeiros grupos mascarados, lembrando o efêmero advento de São Gonçalo. Chegava gente dos sítios vizinhos, de
Cubatão, de Jurubatuba, de Itapema, e até de Bertioga, para as brincadeiras.

afirmación de Coelho Neto em 1910 repetida por Bimba en 1965 y 1972

RECORTE DE PRENSA:Sin fecha y sin fuente:




de Vagner Gonçalves da Silva - 2004 - 252 páginas
Repetindo uma afirmativa feita por Coelho Neto em 1928, Bimba ressaltou que a capoeira deveria ser ensinada "nos colégios e quartéis".

jueves, 20 de agosto de 2009

Capoeira Belem de Pará -1890

Uma história do negro no Brasil (pag 246)
de Wlamyra Ribeiro de Albuquerque

...............O êxito da economia paraense atraiu para a região amazônica, entre 1890 e 1910, trabalhadores nordestinos e imigrantes europeus, principalmente portugueses. A interação entre esses trabalhadores levou à incorporação pela capoeira paraense de armas próprias às lutas portuguesas, assim como golpes e hábitos dos capoeiristas baianos, cearenses e pernambucanos. No Rio de Janeiro, essa convivência entre negros, imigrantes pobres e migrantes de diversas regiões do país nas ocupações braçais, principalmente na estiva, ampliou, ainda mais, os tipos sociais que praticavam capoeira. Entre os praticantes estavam portugueses, espanhóis e italianos que trabalhavam no porto, operários nordestinos, soldados, brasileiros brancos e pobres. Não eram apenas os negros que podiam ser facilmente identificados como capoeiras pelo andar gingado, as calças de boca larga e a argolinha de ouro na orelha, sinais de valentia.
http://www.ceao.ufba.br/livrosevideos/pdf/uma%20historia%20do%20negro%20no%20brasil_cap09.pdf

martes, 18 de agosto de 2009

Capoeira en el microscópio

GRABADO:
Jogo de capoeira na Bahia, década de 1820.
http://saladepesquisacapoeira.blogspot.com/2009/08/1733-carolina-del-sur-boxeador-y.html




CAPOEIRA ANGOLA: CULTURA POPULAR E OJOGO DOS SABERES NA RODAPedro Rodolpho Jungers Abib Origens de uma tradição...........Desde a década de 1940, afirma Luiz Renato Vieira (1998), antropólogos como Herskovits têm apontado para a existência de “danças de combate” que trazem semelhanças com aquilo que conhecemos hoje como capoeira, não só na África - como o Muringue, em Madagascar -, como também em vários pontos da América, nos locais em que a diáspora negra se instalou. Relatos sobre o Mani em Cuba, e a Ladja na Martinica são dois exemplos dessas práticas. Sobre a Ladja, Vieira mostra a impressionante semelhança com a capoeira, verificada não somente do ponto de vista da execução de movimentos e golpes, como, o que é mais importante, o fato de congregar aspectos lúdicos, musicais (pratica-se ao som de atabaques) e de combate corporal.

A expressão "batuque", repleta de significados, podia representar diversas expressões culturais


GRABADO:BATUQUE ,Johann Moritz Rugendas (Augsburg, 29 de março de 1808 — Weilheim, 29 de maio de 1858) foi um pintor alemão que viajou por todo Brasil durante 1822-1825 e pintou povos e costumes.
Date
1822-1825

NOTA DEL PESQUISADOR: Hablando de BATUQUE como lucha precticada por el padre de Bimba,nos preguntamos: Cual es la relación entre este BATUQUE y el Moringue Malgache ó Ringa (no el Moringue Reunionés ya aculturizado).
A CAPOEIRA NA HISTÓRIA LOCAL:
DA VELHA DESTERRO À FLORIANÓPOLIS DE NOSSOS DIAS
Mario Sergio Fregolão
Florianópolis, julho
2008


........Para tratar destes artigos, temos que considerar toda a pluralidade cultural imbricada na constituição destes elementos, que podem com o mesmo nome, conforme as regiões em que se apresentam significar manifestações culturais diferentes. Segundo Letícia Vidor de Souza Reis, baseada em Câmara Cascudo, mostra em O mundo de pernas para o ar 44, que o "batuque baiano" era uma modalidade de capoeira que irá influenciar muito Manoel dos Reis Machado, o Mestre Bimba, na elaboração da Capoeira Regional Baiana .

Maria Martinha do Bonfim, ou simplesmente Dona Martina, descendente de índios aparentemente tupinambás 55, esposada de Luiz Cândido Machado, ex-escravo de origem banto e campeão de batuque, fez aposta com a parteira, no dia que se sucede, era 23 de novembro de 1899, chegar ao mundo uma menina. A parteira ao assistir o evento, tendo a crianças nas mãos exclamou: Olha a bimbinha dele! Olha a bimbinha dele! Daí "Mestre Bimba" 56. Este já nasceu com dois nomes, o outro Manoel dos Reis Machado. De seu pai, herdou a força e o batuque, se tornou exímio. Ajudante de estivador e de porte físico avantajado .




3 O batuque, também chamado de pernada, é mesmo, essencialmente, uma divisão dos antigos africanos, com especialidade dos procedentes de Angola. Onde há capoeira, brinquedo e luta de Angola, há batuque, que parece uma forma subsidiária da capoeira. IN: CARNEIRO, Edison. Folguedos tradicionais. 2 ed. Rio de Janeiro: FUNARTE; 1982., 1982 (p. 109)




9 Para SOARES (1993), a capoeira das maltas cariocas se formou a partir de uma enorme profusão de agentes culturais de diferentes etnias africanas que dividiu entre cativos, livres e libertos; as nações na casa de detenção em 1863 entre angolas, benguelas, cabindas congos, luandas, minas, moçambiques e quilimanes; além de identificar as faixas etárias, as profissões dos capoeiras escravos, capoeiras livres por freguesias, por origem de outros países que não da África, como Portugal e brancos brasileiros. Acredito ser necessário considerar toda estas miscigenações, se for tratar da capoeira em outras regiões.



10 Na página 61 dos Códigos de Posturas da Câmara Municipal da cidade de Desterro, de 10 de maio de 1845 no artigo 38 há a proibição dos ajuntamentos de escravos ou libertos para formarem batuques, sob pena de castigos conforme a lei para os cativos e para os libertos multa ou cadeia. Segundo Liberac, para O código de posturas da cidade de Salvador (...) proibia "os batuques, danças e ajuntamentos em qualquer hora e lugar sob pena de prisão". A expressão "batuque", repleta de significados, podia representar diversas expressões culturais. (PIRES, 2004. p 38.) A afirmação repleta de significados traz um significado especial quando se tratar do batuque baiano na formação de Mestre Bimba, da qual seu pai era campeão na modalidade (REIS, 1997. p 129.), porque implicava num jogo agressivo de pernas contra as pernas do oponente, já como uma forma característica de luta acompanhada por cânticos e instrumentos (GOULART, 2006, documentário). Também há apontamentos de que o batuque se disputava entre "pernadas" durante os carnavais cariocas (BUENO, 1997. p 36.).




11 Edison Carneiro faz uma espécie de etimologia do batuque, cita que Macedo Soares considerava a palavra produto do verbo bater, mas cita também: Esta palavra, na sua acepção mais lata no Brasil, aplica-se ao conjunto de sons produzidos por instrumentos de percussão, em especial se considerados desarmônicos ou ensurdecedores. Também em sentido lato, a toda e qualquer dança ao som de atabaques dá-se, depreciativamente, o nome de „batuque‟. Especificamente, batuque designa um jogo de destreza da Bahia, uma dança de umbigada de São Paulo – que filia-se ao batuque africano – e dois tipos de cultos de origem africana correntes a região amazônica e ro Rio Grande do Sul. [grifo meu] IN: CARNEIRO, op. cit. p 27. José Ramos Tinhorão aponta para o problema do uso genérico do termo batuque: Na verdade, tal como o exame mais atento das raras informações sobre essas ruidosas reuniões de africanos e seus descendentes crioulos deixa antever, o que os portugueses chamaram sempre genericamente de batuques não configurava um baile ou um folguedo, em si, mas uma diversidade de práticas religiosas, danças rituais e formas de lazer. IN: TINHORÃO, José Ramos. Os sons dos negros no Brasil: cantos, danças, folguedos: origens. São Paulo: Art Editora, 1988. [grifo meu]
12 Entre outras tantas irmandades dentre as demais regiões do Brasil, refiro-me especificamente à Irmandade Nossa Senhora do Rosário e São Benedito, de Desterro em que há a percepção de sua atuação desde 1750. Também aqui a organização cumpriu funções socializadoras para os negros na sociedade dos brancos. IN: ALVES, Jucélia Maria. Cacumbi: um aspecto da cultura negra em Santa Catarina .Jucélia Maria Alves, Rose Mary de Lima, Cleidi Alburquerque (Orgs.) Florianópolis: Ed. Da UFSC, co-edição Secretaria da Cultura e do Esporte de Santa Catarina, 1990. (p 26.)





Cisnando,Bimba y la Luta Regional Bahiana

NOTA:1962-1963-Cisnando fué prefeito en Feira de Santana-Bahía,ciudad donde tenía una Hacienda .En dicha ciudad vivió el padre del Mestre Bimba:Mestre Bimba (1900-1974) era filho de Luís Cândido de Machado, caboclo de Feira de Santana, e Maria Martinha do Bonfim, negra do Recôncavo .A Tarde Ba 08-07-2009 http://www.intercidadania.net/noticia.kmf?noticia=8651334&canal=53&total=6724&indice=0
otra cita:
Artes do corpo‎ - Página 190 de Vagner Gonçalves da Silva - 2004 - 252 páginas
Seu pai era conhecido nas festas de largo de Salvador como campeão de batuque .
ARTÍCULO:
Cearense natural da cidade de Crato, José Sisnando Lima formou-se pela Faculdade de Medicina de Salvador, tornando-se especialista em neuro-psiquiatria. Clinicou em Santa Bárbara, seguindo depois para o sul do Ceará e norte de Minas. Retornou à Bahia e novamente em Santa Bárbara destacou-se pelos investimentos na agricultura, o que lhe garantiu a presidência do Sindicato Rural de Feira de Santana. Foi também médico da Secretaria de Agricultura, supervisor estadual da Merenda Escolar e professor de Biologia. Eleito vereador em 1958, chegou à presidência da Câmara e, nesta condição, substituiu o então prefeito Arnold Silva por quatro meses, no ano de 1962.
http://www.camarafeiradesantana.ba.gov.br/galeria/jose-sisnando-lima/jose-sisnando-lima-1959-1967/
otra cita:
Ao som do Berimbau: Capoeira, arte marcial del Brasil‎ - Página 97de Formado Comprido - 220 páginas
Rego afirma haber preguntado a Bimba como había creado la nueva Capoeira ...Golpes de Batuque.... además de los golpes de la lucha greco-romana, jiu-jitsu, judo y savate, ...









http://www.bdae.org.br/dspace/bitstream/123456789/358/5/Amelia_Conrado6.pdf

Semba(umbigada do batuque africano)




Recorte libro:
Padeirinho: retrato sincopado de um artista‎ - Página 18 de Franco Paulino, Padeirinho - 2005 - 216 páginas
... Miguelzinho da Lapa e outras figuras veneradas no seio da malandragem


Lapa do desterro e do desvario: uma antologia‎ - Página 142 de Isabel Lustosa, Aluísio de Azevedo - 2001 - 225 páginasEra parceiro inarredável de Meia-Noite o campeão sul-americano de capoeira Miguelzinho da Lapa. Ao enterro de Meia acorreram, a rigor, todas as variedades

lunes, 17 de agosto de 2009

Zuavos Franceses(de varias colonias) estuvieron en Brasil ( Uruguai )

Estudios de historia moderna y contemporánea de México‎ - Página 38de Universidad Nacional Autónoma de México. Instituto de Investigaciones Históricas - 2003
... algunos oficiales habían combatido con la Legión Extranjera Francesa en Argelia, Italia y Crimea, y otros participaban en el ejército de Brasil
FOTO: Un peloton de Haoussas, de la Force publique à Boma, commandé par le capitaine Avaert



RECORTE LIBRO::Senegaleses en el ejercito francés van a Madagascar en 1828-: http://gallica.bnf.fr/ark:/12148/bpt6k104754p.image.r=+lutte+madagascar.f2.langES

domingo, 16 de agosto de 2009

Lucha del Cadete Floriano Peixoto con Manduca da Praia.

DIBUJO:Gentileza A.L.Lacé.


Recorte libro: (pag 47)CRIME E COTIDIANO Escrito por BORIS FAUSTO . http://books.google.es/books?id=NxdMXfFrWLAC


Dos fadistas e galegos: os portugueses na capoeira
Carlos Eugénio Líbano Soares* Análise Social, vol. xxxi (142), 1997 (3.º), 685-713

............................Plácido de Abreu, ou Pompeo Steel, como gostava de ser conhecido, era um misto de capoeira, militante republicano e literato. Várias vezes tentou entrar no selecto mundo da academia literária, sem sucesso55. A sua outra obra, Nagôas e Guayamús, continua desaparecida. Apesar de republicano da primeira hora, desencantou-se quando o marechal Floriano Peixoto rasgou a Constituição de 1891. Aderiu à revolta da armada e foi assassinado em Fevereiro de 189456. Em Dezembro de 1861 o próprio Floriano, ainda cadete da Academia
Militar, enfrentara o lendário Manduca da Praia
e a sua malta e, segundo conta a tradição, batera-se com os navalhistas, usando golpes de habilidoso capoeira. Esta história retrata quanto a capoeira seria parte integrante das memórias de juventude para a geração que dominou a República na viragem do século:

Era uma noite quente e alguns colegas de Floriano saíram do Largo de São Francisco, onde era a Escola Militar, e dirigiram-se ao Largo da Carioca. Ali foram barrados pelos capoeiras sob a chefia de Manduca da Praia, chefe de malta de Santa Luzia. Tiveram de bater em retirada. Acabrunhadose tristes, reuniram-se no Largo. Aproximou-se deles o cadete Floriano, na sua farda da Escola Militar. Conversando com os colegas,soube do acontecido.
— Só isso senhores? Esperem um pouco que eu já venho.
Regressou vestindo um casaco velho e comprido. Na cabeça, um grande chapéu de abas largas. E uma bengala, que serviria de porrete. Apontouna direcção do Largo da Carioca:
— «Podem vir, rapazes!»O grupo seguiu até à Rua da Vala (actual Uruguaiana), onde estacaram:ali estava Manduca da Praia e os seus companheiros.
Floriano continuou em linha recta até chegar junto de Manduca. Frente a frente como lendário chefe de malta, disse:
— Com sua licença, meu senhor, nós vamos passar para o Largo da Carioca.
— Aqui ninguém passa — retrocou o capoeira, sorrindo, à espera do combate.
Imperturbável, Floriano aplicou uma rasteira em Manduca, enquanto gritava aos seus colegas:
— Podem passar, rapazes. Encorajados, os jovens saltaram sobre a malta e, enquanto o seu chefe permanecia fora de combate, deram um surra nos navalhistas. Pouco depois, amarrotados, e em alegre algazarra, chegavam ao Largo da Carioca. Entre os amigos do jovem Floriano que naquela noite deram cabo da malta de Santa Luzia estava Juca Paranhos, futuro barão do Rio Branco57
55 A Semana de 22-5-1886.
56 Coelho Netto, op. cit., p. 137, narra assim a morte de Plácido: «Morreu com a heroicidade de amouco, fuzilado no túnel da Copacabana, e só não dispersou a treda escolta, apesar de enfraquecido, como se achava, com os longos tratos na prizão, porque recebeu a descarga pelas costas, quando caminhava na treva, fiado na palavra de um oficial de nome Romano.»
57 Grandes Personagens da Nossa História, vol. i, p. 704.
http://analisesocial.ics.ul.pt/documentos/1221841940O8hRJ0ah8Vq04UO7.pdf
NOTA:
Diferentemente dos atos amoucos em sociedades pré-modernas (a palavra "amok" provém da língua malaia), não se trata de acessos espontâneos de fúria ensandecida, mas sempre de ações longa e cuidadosamente planejadas. O sujeito burguês está determinado ainda pelo "autocontrole" estratégico e pela disciplina funcional até mesmo quando decai na loucura homicida. Os amoucos são robôs da concorrência capitalista que ficaram fora de controle: sujeitos da crise, eles desvelam o conceito de sujeito moderno, esclarecido, em todas as suas características.
*Robert Kurz é sociólogo e ensaísta alemão, autor de "Os Últimos Combates" (ed. Vozes) e "O Colapso da Modernização" (ed. Paz e Terra). Ele escreve mensalmente na seção "Autores", do Mais!.

1878-Detención de Juca Reis (capoeira)

LIBRO:Histórias de presidentes: a República no Catete 1897-1960 Escrito por Isabel Lustosa
http://books.google.es/books?id=w6dLf7PNntIC&printsec=frontcover&source=gbs_v2_summary_r&cad=0#v=onepage&q=&f=false



Recorte libro:

Onosarquistas e patafísicos: a boemia literária no Rio de Janeiro fin-de-siècle‎ - Página 153de Diogo de Castro Oliveira - 2008 - 206 páginas
Entre os inúmeros brancos presos por capoeiragem estavam J. Elísio dos Reis, ... A casa da Tia Ciata, berço do samba e palco de várias formas de cultos ...


Carlos Eugénio Líbano Soares* Análise Social, vol. xxxi (142), 1997 (3.º), 685-713
Dos fadistas e galegos: os portugueses na capoeira
O fadista que é fadista
A jeito o ferro manobra
Metendo a mão aos arames
Dá facada como cobra1
.

...............................................Poucos meses antes já tinha havido um confronto entre o ministro das
Relações Exteriores, Quintino Bocaiúva, e o chefe da polícia por conta da prisão de um afamado capoeira, filho de um dos mais ricos representantes da colónia lusa no Rio, o conde de São Salvador de Matosinhos. Esse capoeira, José Elysio dos Reis, conhecido como Juca Reis, fora enviado a Fernando de Noronha em 1 de Maio, no rastro de uma crise que quase causara a primeira renúncia ministerial do governo provisório do general Deodoro da Fonseca. O ministro da Justiça, Manuel Ferraz de Campos Sales, entrou na questão e ordenou ao chefe da polícia que libertasse o português, mas que o mantivesse sob vigilância. O ministro das Relações Exteriores voltou a pressionar o seu companheiro da pasta da Justiça pela liberdade do imigrante luso.
O cônsul português enviou outro ofício a Quintino Bocaiúva reiterando o seu protesto.




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Em Março de 1878, afinal, José Elysio foi preso e levado para a Casa de Detenção para responder em processo por não ter pago a fiança no mesmo momento em que uma campanha policial de perseguição aos capoeiras ganhavas ruas. Em Janeiro de 1879 Juca Reis estava livre e envolvia-se em novas brigas. Desta vez o adversário era mais ilustre, o senador Gaspar de Silveira
Martins. Juca Reis vai tornar-se na década de 1880 um adversário rude de liberais e republicanos, até ser deportado por Sampaio Ferraz para Fernando de Noronha em Maio de 1890.
A história turbulenta de José Elysio dos Reis permite-nos abordar um dos ângulos mais curiosos da trajectória dos capoeiras no Rio de Pedro II: os «cordões elegantes»47, ou seja, os filhos das classes abastadas que fizeram fama no mundo da capoeira. José Elysio, mesmo tendo nascido no Rio, podia ser descrito como um «marialva» da Corte, como eram conhecidos em Portugal
os ricaços que frequentavam o bas fond.




..............O jornal Corsário de 2 de Setembro de 1882 chamava-lhe «flagelo social» e pedia ao pai que o enviasse para Portugal, onde poderia dar cabeçadas e navalhadas aos seus próprios patrícios...50
Várias personagens ilustres da viragem do século tiveram os seus tempos de capoeira. O próprio Sampaio Ferraz, inimigo declarado dos capoeiras, fora hábil praticante da capoeira, talvez uma forma de enfrentar os seus inumeráveis inimigos. Uma vez, no auge da repressão de 1890, por ele levada a cabo, Sampaio Ferraz teve uma discussão com Luís Murat, secretário geral do governador do estado do Rio de Janeiro, Francisco Portela. Luís Murat discordava dos métodos de Sampaio Ferraz na luta contra a capoeira, e os dois resolveram tratar as suas diferenças na base da rasteira e da cocada. O palco do duelo foi o Café Inglês e Murat levou a melhor,
jogando Sampaio de encontro a uma mesa de mármore. Talvez o motivo da contenda tenha sido a prisão de Pedro Murat Pilar,irmão de Luís Murat, que, apesar de ser republicano militante, fora detido como capoeira no dia 10 de Janeiro de 1890 51.





47 Os «cordões elegantes» eram descritos como «[...] capoeiras amadores [...] cuja especialidade
era promover conflitos e desordens nos teatros e casas de jogos e demais lugares
frequentados pela alta roda da Corte» (Revista do Arquivo Municipal, ano xvi, vol. cxxvi, São
Paulo, Julho-Agosto de 1949, p. 76).





50 O Corsário de 2-9-1882.
http://analisesocial.ics.ul.pt/documentos/1221841940O8hRJ0ah8Vq04UO7.pdf

Que Brasileiro patriota leva a capoeiragem a París?

a A revista Careta, de 21 de março de 1931, reproduz um desenho de Alfredo Storni, enfocando um dos líderes da Revolução de 30, Osvaldo Aranha, que alija, expurga políticos carcomidos da República Velha, apelando, utilizando os recursos disseminados pela capoeiragem.
Capoeiragem: O Nosso Jogo!
Coelho Netto, O BAZAR " 1922


"Transcrevendo-o do Correio do Povo, de Porto Alegre, publicou O Paiz em seu número de 22 do corrente, um artigo com o título: "Cultivemos o jogo de capoeira e tenhamos asco pelo do Box", firmado pelo correspondente do jornal gaúcho nesta cidade, Dr. Gomes Carmo.

Concordamos in limini com o que diz o articulista, valho-me da oportunidade que me abre tal escrito para tornar a um assunto sobre o qual já me manifestei e que também já teve por ele a pena diamantina de Luiz Murat.
A capoeiragem devia ser ensinada em todos os colégios, quartéis e navios, não só porque é excelente ginástica, na qual se desenvolve, harmoniosamente, todo o corpo e ainda se apuram os sentidos, como também porque constitui um meio de defesa pessoal superior a todos quantos são preconizados pelo estrangeiro e que nós, por tal motivo apenas, não nos envergonhamos de praticar. (negrito do Editor)
Todos os povos orgulham-se dos seus esportes nacionais, procurando, cada qual dar primazia ao que cultiva. O francês tem a savate, tem o inglês o boxe; o português desafia valentes com o sarilho do varapau; o espanhol maneja com orgulho a navalha catalã, também usada pelo "fadista" português; o japonês julga-se invencível com o seu jiu-jitsu e não falo de outros esportes clássicos em que se treinam, indistintamente, todos os povos, como a luta, o pugilato a mão livre, a funda e os jogos d`armas.
Nós, que possuímos os segredos de um dos exercícios mais ágeis e elegantes, vexamo-nos de o exibir e, o que mais é, deixamo-nos esmurraçar em ringues por machacazes balordos que, com uma quebra de corpo e um passe baixo, de um "ciscador" dos nossos, iriam mais longe das cordas do que foi Dempsey à repulsa do punho de Firpo.
O que matou a capoeiragem entre nós foi...a navalha. Essa arma, entretanto, sutil e covarde, raramente aparecia na mão de um chefe de malta, de um verdadeiro capoeira, que se teria por desonrado se, para derrotar um adversário, se houvesse de servir do ferro.
Os grandes condutores de malta " guaymús e nagôs, orgulhavam-se dos seus golpes rápidos e decisivos e eram eles, na gíria do tempo: a cocada, que desmandibulava o camarada ou, quando atirada ao estomago, o deixava em síncope, estabelecido no meio da rua, de boca aberta e olhos em alvo; o grampeamento, lanço de mão aos olhos, com o indicador e o anular em forquilha, que fazia o mano ver estrelas; o cotovelo em ariete ao peito ou ao flanco; a joelhada; o rabo de raia, risco com que Cyriaco derrotou em dois tempos, deixando-o sem sentidos, ao famoso campeão japonês de jiu-jitsu; e eram as rasteiras, desde a de arranque, ou tesoura, até a baixa, ou bahiana; as caneladas, e os pontapés em que alguns eram tão ágeis que chegavam com o bico quadrado das botinas ao queixo do antagonista; e, ainda, as bolachas, desde o tapa-olho, que fulminava, até a de beiço arriba, que esborcinava a boca ao puaia. E os ademanes de engano, os refugos de corpo, as negaças, os saltos de banda, à maneira felina, toda uma ginástica em que o atleta parecia elástico, fugindo ao contrário como a evitá-lo para, a súbitas, cair-lhe em cima, desarmando-o fazendo-o mergulhar num "banho de fumaça".
Era tal a valentia desses homens que, se fechava o tempo, como então se dizia, e no tumulto alguém bradava um nome conhecido como:Boca-queimada, Manduca da Praia, Trinca-espinha ou Trindade, a debandada começava por parte da polícia e viam-se urbanos e permanentes valendo-se das pernas para não entregarem o chanfalho e os queixos aos famanazes que andavam com eles sempre de candeias às avessas.

"Dessa geração celebérrima fizeram parte vultos eminentes na política, no professorado, no exército, na marinha como " Duque Estrada Teixeira, cabeça cutuba tanto na tribuna da oposição como no mastigante de algum paróla que se atrevesse a enfrentá-lo à beira da urna: capitão Ataliba Nogueira; os tenentes Lapa e Leite Ribeiro, dois barras; Antonico Sampaio, então aspirante da marinha e por que não citar também Juca Paranhos, que engrandeceu o título de Rio Branco na grande obra patriótica realizada no Itamaraty, que, na mocidade, foi bonzão e disso se orgulhava nas palestras íntimas em que era tão pitoresco.
A tais heróis sucederam outros: Augusto Mello, o cabeça de ferro; Zé Caetano, Braga Doutor, Caixeirinho, Ali Babá e, sobre todos o mais valente, Plácido de Abreu, poeta comediógrafo e jornalista, amigo de Lopes Trovão, companheiro de Pardal Mallet e Bilac no O COMBATE, que morreu, com heroicidade de amouco, fuzilado no túnel de Copacabana, e só não dispersou a treda escolta, apesar de enfraquecido, como se achava , com os longos tratos na prisão, porque recebeu a descarga pelas costas quando caminhava na treva, fiado na palavra de um oficial de nome romano.
Caindo de encontro às arestas da parede áspera ainda soergue-se, rilhando os dentes, para despedir-se com uma vilta dos que o haviam covardemente atraiçoado. Eram assim os capoeiras de então.
Como os leões são sempre acompanhados de chacais, nas maltas de tais valentes imiscuíam-se assassinos cujo prazer sanguinário consistia em experimentar sardinhas em barrigas do próximo, deventrando-as.
O capoeira digno não usava navalha: timbrava em mostrar as mãos limpas quando saia de um turumbamba.
Generoso, se trambolhava o adversário, esperava que ele se levantasse para continuar a luta porque: "Não batia em homem deitado"; outros diziam com mais desprezo: "em defunto".
Nos terríveis recontros de guaiamus e nagôs, se os chefes decidiam que uma questão fosse resolvida em combate singular, enquanto os dois representantes da cores vermelha e branca se batiam as duas maltas conservam-se à distância e, fosse qual fosse o resultado do duelo, de ambos os lados rompiam aclamações ao triunfador.
Dado, porém, que, em tais momentos, estrilassem apitos e surgissem policiais, as duas maltas confraternizavam solidárias na defesa da classe e era uma vez a Força Pública, que deixava em campo, além do prestigio, bonés em banda e chanfalhos à ufa.
O capoeira que se prezava tinha oficio ou emprego, vestia com apuro e. se defendia uma causa, como aconteceu com do abolicionismo, não o fazia como mercenário.
O capanga, em geral, era um perrengue, nem carrapeta, ao menos , porque os carrapetas, que formavam a linha avançada, com função de escoteiros, eram rapazolas de coragem e destreza provadas e sempre da confiança dos chefes.
Nos morros do Vintém e do Néco reuniam-se, às vezes, conselhos nos quais eram severamente julgados crimes e culpas imputados a algum dos das farandulas. Ladrões confessos eram logo excluídos e assassinos que não justificassem com a legitima defesa o crime de que fossem denunciados eram expulsos e às vezes, até, entregues a policias pelos seus próprios chefes.
Havia disciplina em tais pandilhas.
Quanto às provas de superioridade da capoeiragem sobre os demais esportes de agilidade e força são tantas que seria prolixa a enumeração.
Além dos feitos dos contemporâneos de Boca queimada e Manduca da Praia, heróis do período áureo do nosso desestimado esporte, citarei, entre outros, a derrota de famosos jogador de pau, guapo rapagão minhoto, que Augusto Mello duas vezes atirou de catrambias no pomar da sua chacarinha em Vila Isabel onde, depois da luta e dos abraços de cordialidade, foi servida vasta feijoada. Outro: a tunda infligida um grupo de marinheiros franceses de uma corveta Pallas, por Zé Caetano e dois cabras destorcidos. A maruja não esteve com muita delonga e, vendo que a coisa não lhe cheirava bem em terra, atirou-se ao mar salvando-se, a nado, da agilidade dos três turunas, que a não deixavam tomar pé.
A última demonstração da superioridade da capoeiragem sobre um dos mais celebrados jogos de destreza deu-nos o negro Cyriaco no antigo Pavilhão Paschoal Segreto fazendo afocinhar, com toda a sua ciência, o jactancioso japonês, campeão do jiu-jitsu.
Em 1910, Germano Haslocjer, Luiz Murat e quem escreve estas linhas pensaram em mandar um projeto a Mesa da Câmara dos Deputados tornando obrigatório o ensino da capoeiragem nos institutos oficias e nos quartéis. Desistiram, porém, da idéia porque houve quem a achasse ridícula, simplesmente, por tal jogo era...brasileiro.
Viesse-nos ele com rótulo estrangeiro e tê-lo-íamos aqui, impando importância em todos os clubes esportivos, ensinado por mestres de fama mundial que, talvez, não valessem um dos nossos pés rapados de outrora que, em dois tempos, mandariam um Firpo ou um Dempsey ver vovó, com alguns dentes a menos algumas bossas de mais.
Enfim...Vamos aprender a dar murros " é esporte elegante, porque a gente o pratica de luvas, rende dólares e chama-se Box, nome inglês. Capoeira é coisa de galinha, que o digam os que dele saem com galos empoleirados no alto da sinagoga.
É pena que não haja um brasileiro patriota que leva a capoeiragem a Paris, batisando-a, com outro nome, nas águas do Sena, como fez o Duque com o Maxixe.
Estou certo de que, se o nosso patriotismo lograsse tal vitória até as senhoras haviam de querer fazer letras, E que linda seriam as escritas! Mas, se tal acontecesse, sei lá ! muitas cabeçadas dariam os homens ao verem o jogo gracioso das mulheres".

1898-Ceará -Emitaçao de luctas romanas


La colección Thereza Christina Maria consta de 21.742 fotografías reunidas por el emperador Pedro II y que él dejó a la Biblioteca Nacional de Brasil. La colección abarca una amplia gama de temas. Documenta los logros de Brasil y del pueblo brasileño en el siglo XIX e incluye muchas fotografías de Europa, África y América del Norte. Esta fotografía de tres hombres brasileños imitando a guerreros romanos fue tomada en Ceará, en algún momento entre 1898 y 1909, por el fotógrafo Miguel de Moura, del que se conoce muy poco.


Fecha de creación1898


Título en el idioma original

Emittação as luctas romanas
http://www.wdl.org/es/item/88/

1907-SP-Urucungo en Bixiga

Em mais uma pesquisa, encontramos no jornal CORREIO PAULISTANO, de 1907, uma matéria que alguns trechos vamos reproduzir:
"É um pedaço da África. As relíquias da pobre raça impellida pela civilização cosmopolita que invadiu a cidade, ao depois de 88, foi dar alli naquela furna. Uma linha de casebres borda as margens do riacho. O valle é fundo e estreito...... Cabras soltas na estrada, pretinhos semi-nus fazendo gaiolas, chibarros de longa barba ao pé dos velhos de carapinha embranquecida e lábio grosso de que pende o cachimbo, dão áquelle recanto uns ares do Congo. Alli pae Antonio, cujas mandingas celebram os supersticiosos de Pinheiros, de Santo Amaro, da várzea e até do Tabôa, pratica os seus mysterios e tange o urucungo, apoiando ao ventre rugoso e despido a cabaça resonanta. As casas são pequenas; as portas baixas...... os que vieram nos navios negreiros, que plantaram o café, que cevaram este solo de suor e lágrimas, accumulados alli, como o rebutalho da cidade, no fundo lobrego de um valle."
Sim, em 1907, um senhor mandingueiro (de acordo com o texto, um feiticeiro poderoso) já tocava seu berimbau (urucungo) pertinho da gente. Provavelmente em um outro zungu, ancestral ao nosso.
http://zungucapoeira.blogspot.com/2008/08/o-berimbau-j-tocava-no-bixiga-h-mais-de.html