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domingo, 4 de enero de 2009

Comercio India-Costa Swahili-Océano Indico

LIBRO: Fuente extraviada (sorry)
...................No que a este pequeno artigo diz respeito, apenas me interessou reflectir sobre as «conexões imperiais» e saber se as dinâmicas sociais, políticas e económicas ocorridas em Moçambique, na Índia e no Brasil, poderiam ser impedidas pela centralidade do Império e pelas funções de administração da coroa, nos finais do século XVIII.

1. Vínculos de Moçambique ao espaço Índico setecentista.
Em Moçambique setecentista, o comércio e grande parte da vida económica esteve sob o domínio de uma minoria indiana oriunda do Guzerate[5].
Pelo menos desde 1686 - data em que o monopólio das viagens comerciais para a costa oriental africana passou da mão dos capitães das «praças do Norte» da Índia, para a dos comerciantes hindus e jainas, vulgarmente chamados de baneanes, a maioria residente em Damão e Diu -, foi manifestamente evidente a vitalidade da sua presença económica e social, em diversos domínios da economia moçambicana.
Do monopólio das viagens ao monopólio da actividade comercial na costa oriental africana, foi um pequeno passo. A coroa ainda tentou opor-se, mas, no fim de contas, sem grande sucesso. Com muito esforço e persuasão de vários governadores e vice-reis junto dos comerciantes reinóis que ainda possuíam alguma capacidade económica, gastos oito anos em consultas, reuniões e troca de correspondência entre Lisboa e Goa, o vice-rei D. Pedro António de Noronha de Albuquerque, lá conseguiu constituir uma Companhia de Comércio para os domínios ultramarinos do oriente, em 1694. O modelo queria-se inglês ou holandês, mas, ao contrário das suas congéneres, o consórcio não durou nem meia dúzia de anos. Quem leu a documentação sobre a constituição desta sociedade comercial e conhece a situação política e económica do Estado da Índia, facilmente conclui que a empresa estava destinada ao fracasso porque era notória a «falta de entusiasmo» dos comerciantes portugueses e porque os territórios de Macau e Timor recusaram-se a nela participar, o que restringiu imenso o âmbito da sua actuação.
http://www2.iict.pt/index.php?idc=102&idi=12905

lunes, 29 de diciembre de 2008

3.3 DOS REINÓIS, PATRÍCIOS, GOESES E ALGUNS BRASILEIROS; OU DOS BRANCOS E OUTROS NÃO TÃO BRANCOS ASSIM

3.3 DOS REINÓIS, PATRÍCIOS, GOESES E ALGUNS BRASILEIROS; OU DOS BRANCOS E OUTROS NÃO TÃO BRANCOS ASSIM
.........O secretário de governo António Pinto de Miranda fez algumas observações a respeito da vida cotidiana dos colonos portugueses na Zambézia, por volta de 1766. Segundo ele o português,
Hé todo afidalgado desde o mais infimo athé o mais superior. (...) cazão com alguãs senhoras naturais e outras que de Goa descendem: e como todas são possuidoras de terras e famulos, jamais cuidão em a cultivação dellas, ou na boa disciplina daquelles.278
............
Nos tempos anteriores em que havia mais Portuguezes reinoes, desprezava-se a mais ordinaria, e escura Mulher d’estas Famillias, de se misturar ou cazar com algum dos Naturaes de Goa chamados Canarins. Elles mesmos se não attrevião a buscar aquelles mesmos Cazamentos, e se prezavão muito ellas cazarem-se com os brancos, tanto pelo desprezo com que olhavão para os Canarins, como para se approveitarem dos prazos da Coroa, que na conformidade das Ordens de Sua Magestade se devem conferir às mulheres daquelles Rios, que cazarem com Portuguezes Reinoes; agora porem que o numero dos Canarins he maior e por assim dizer he o partido dominante dos Rios de Senna, já se perdeo aquelle capricho, e os dittos Canarins sendo aliás molles, pusilanimes e semi-caffres em Costumes, são bastantemente astuçiozos e soberbos para fazerem seus conclaves, e buscarem os meios de se appossarem d’estes melhores cazamentos, e para excluirem os Portuguezes de quem são inimigos Jurados.285
...............
Na sua maioria, os portugueses da Ilha de Moçambique estavam ligados ao comércio, desde os oficiais do governo, aos militares e clérigos. Agiam como intermediários dos importadores baneanes, trocando as mercadorias da Índia, por marfim, escravos e alimentos no Mossuril, durante a época da feira dos macuas e mujaus.
http://dspace.c3sl.ufpr.br/dspace/bitstream/1884/7418/1/JRBPortella_tese.pdf

martes, 2 de diciembre de 2008

1686-Sipais,Brasileiros,cafres MALAYO-MALGACHES,baneanes e portugueses na Ilha de Moçambique

A ILHA DE MOÇAMBIQUE NOS FINAIS DO SECXVIII

REVISITE A ILHA DE MOÇAMBIQUE CERCA DE 1790PELA MÃO DO PROF. ADELTO GONÇALVES EPELA PENA DE TOMÁS GONZAGA
Da obra "Gonzaga, um poeta do Iluminismo"
Terceira Parte

..........Os cafres eram vários povos, alguns com influência árabe - os manjougas, por exemplo, tinham sangue malaio-malgaxe, mas existiam outros cafres africanos puros, como os macuas e os angicos(21). Viviam de vender tabaco, pão, condimentos e outros artigos. Tinham uma maneira curiosa de cumprimentar os muzungos(22). Em vez de erguer a mão e falar, paravam e arrastavam os pés para trás(23). Naquela vila muito estranha para um português chegado do Brasil, predominavam as modas maometanas. Apesar do calor, os negros gostavam de cobrir o corpo: usavam panos de duas ou três braças de algodão branco, ou estampado, com largura suficiente para chegar da cintura até metade da coxa ou, quando muito, até o joelho, enrolados em volta dos quadris.
.......................A ilha tinha os seus encantos. Usufruíra no século XVII os efeitos da época dourada da Zambézia: fora o grande porto onde se articularam as rotas marítimas abertas pelo comércio do ouro. Desde o século XVII, os portugueses comerciavam com o reino do Monomotapa, onde havia imensas minas de ouro. O tráfico da Zambézia, assim como o de Sofala e Inhambane, era feito quase exclusivamente por cristãos indianos. A defesa da ilha estava entregue a sipais(44) vindos da India(45) e a outros naturais do país. No limiar do século XVIII, já a decadência corroía os alicerces do domínio português na ilha e no continente fronteiro. Além de árabes que invadiam toda a costa oriental, mas sem condições de conquistá-la, a ilha passou a receber comerciantes de Diu e Damão, os chamados banianes, que se estabeleceram a partir de 1686. Os banianes, súditos portugueses, eram uma casta de comerciantes hindus fixada em Diu e oriunda de Surate e Cambaia. Eles fugiram da decadência econômica de Diu e nunca respeitaram a determinação para não ultrapassar os limites da ilha. Logo assumiram o predomínio no tráfico entre a India e Moçambique e também no comércio com o interior do continente africano. Eram cerca de 300 por volta de 1782 (46).
http://www.macua.org/gonzaga/gonzaga3.3.html