Mostrando entradas con la etiqueta baneanes en Ilha de Moçambique. Mostrar todas las entradas
Mostrando entradas con la etiqueta baneanes en Ilha de Moçambique. Mostrar todas las entradas

domingo, 21 de diciembre de 2008

A Ilha de Moçambique: memórias do património e do seu povo


O extremo da ilha, onde hoje fica a zona dos cemitérios e o crematório dos hindus baneanes, construídos a partir de meados do século XIX, era antigamente um local praticamente desabitado.
Como facilmente se depreende, a população da Ilha de Moçambique era relativamente pequena e muito heterogénea. Fixou-se em áreas bem determinadas, de acordo com a sua riqueza, estatuto social e origem religiosa. Podemos, no entanto, afirmar que a Ilha e as aldeias que ficavam defronte, no continente, eram mestiças. Até meados do século XIX, os dados disponíveis sobre a população das povoações moçambicanas são muito incompletos. O censo elaborado pela Câmara, em 1766, sobre os ofícios e a forma viviam os habitantes da Ilha de Moçambique e das Terras Firmes, indica que cerca de 61% dos residentes eram goeses cristãos ou «filhos de Moçambique», os filhos de reinóis e de goeses com nativas moçambicanas.
A maioria das famílias brancas originárias do Reino concentrava-se no núcleo urbano de pedra e cal da Ilha, mas muitas destas famílias também possuíam quintas rurais no Mossuril e na Cabaceira Grande, onde permaneciam com seus escravos e dependentes, durante longas temporadas de repouso18. Segundo Gerhard Liesegang, uma estimativa baseada em censos parciais de 1806 e 1831, calcula que a população da ilha de Moçambique não excedesse as 4000 almas, a maior parte escrava19.
Os baneanes hindus oriundos do Guzerate viviam quase todos na Ilha, geralmente em casas alugadas aos jesuítas ou a outra ordem religiosa, de preferência junto à alfândega ou junto à costa, em contacto directo com a carga e descarga de navios. Os muçulmanos asiáticos viviam maioritariamente na contracosta, desde o terreiro de S. Gabriel onde produziam as cordas de cairo, essenciais à vida marítima.
Os negros autóctones, escravos livres, mulatos e alguns muçulmanos autóctones viviam em palhotas a sul do convento-hospital de S. João de Deus e dos poços da Marangonha. A Ilha de Moçambique, lugar de encontro de diferentes culturas, povos e religiões, encontra precisamente nessa dimensão da diferença a sua marca identitária mais forte. Esta questão da pluralidade, a que acresce a necessidade de protecção, reabilitação e preservação do seu património, confere à Ilha de Moçambique um estatuto importante no panorama histórico e cultural da humanidade e convida os cientistas sociais a debruçarem-se sobre uma história que reconhece a todos os sujeitos em presença um papel activo e enriquecedor, especialmente se esses sujeitos têm origens tão distintas quanto as que se encontram no Índico africano.

viernes, 24 de octubre de 2008

Isla de Mozambique ,tradición y modernidad musical


Location : MozambiqueMusic Crossroads : Participant
First Participation: 2008
Music styles: Traditional
Music styles: Afrofusion



Marove fue fundada en octubre de 2006 por jóvenes músicos del Proyecto Muciro en Nampula, con el objetivo de lograr un nuevo sonido en la escena musical local. La banda es sólo una de las extensiones de la gran familia del Proyecto Muciro. Ahora, con ocho miembros y la visión de hacer una fusión tradicional de Tufo ( bailar al ritmo de la Makua ,grupo étnico) y otros de música tradicional y los estilos de la danza de la costa, especialmente a partir de la Ilha de Moçambique.


Moravam na ilha reinóis, goeses, gentios, mouros, cafres e hindus. De religião bramânica, os hindus, na maioria, falavam o guzerate, mas a sua língua religiosa era o sânscrito. Existiam também os cojás, de raça indiana, que haviam chegado de Guzerate e Catiavar. Os cojás, naquele tempo, não seriam mais de cinquenta pessoas, todos oriundos da ĺndia, islamitas que adorava o Agá Can, 48º descendente de Maomé. Vinham sempre sem família. A ilha tinha também o seu bairro formado só por cafres. Mais de mil naturais viviam em tembas(20) quadradas cobertas por colmos. Os negros não tinham bom aspecto nem eram asseados. Eram quase todos do grupo linguistíco banto do ramo benue-congo da família niger-kordofaniana. Os cafres eram vários povos, alguns com influência árabe - os manjougas, por exemplo, tinham sangue malaio-malgaxe, mas existiam outros cafres africanos puros, como os macuas e os angicos(21). Viviam de vender tabaco, pão, condimentos e outros artigos. Tinham uma maneira curiosa de cumprimentar os muzungos(22). Em vez de erguer a mão e falar, paravam e arrastavam os pés para trás(23).