sábado, 21 de febrero de 2009

LEGITIMIDADE, COMPADRIO E MORTALIDADE DE ESCRAVOS - Minas e Rio XIX

foto: Escravos rurais. Foto: Bel Bechara.
LEGITIMIDADE, COMPADRIO E MORTALIDADE DE ESCRAVOS
Freguesias de Minas Gerais e Rio de Janeiro, Século XIX
Rômulo Andrade
Doutor em História Social -USP/1995
Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro
ORIGEM ÉTNICA DOS ESCRAVOS DA FREGUESIA DE NOSSA SENHORA. DA
CONCEIÇÃO DO BANANAL, 1847-1860
REGIÕES DA ÁFRICA LOCAL
África Ocidental ............................................... Mina
Centro-Oeste Africano
• Congo Norte.......................................... Cabinda, Congo, Monjolo
• Norte de Angola.................................... Angola, Cassange, Rebolo
• Sul de Angola........................................ Benguela, Gangela
• Incerto.................................................... Moçange
África Oriental................................................... Moçambique
FONTE:Livro 02 de Óbitos, Arquivo da Cúria de Itaguaí .
http://www.cedeplar.ufmg.br/seminarios/seminario_diamantina/2008/D08A022.pdf
As estimativas do tráfico atlântico fornecem indicações. Os cativos provenientes da África Ocidental, entre 1795 e 1852, nunca chegaram a 2% dos que vieram para a região Centro-Sul. Por sua vez, os negreiros procedentes da África Central Atlântica, entre 1790 e 1830, nunca eram menos de 81%.15 Estes índices estão relativamente próximos aos encontrados para as mães dos inocentes e para os adultos batizados em São José. Das mães de origem africana, 82,4% eram oriundas da África Central Atlântica, 14,6% da África Ocidental e 3,0% da África Oriental. Os adultos batizados correspondiam a 55,2%, 17%, e 27,8%, respectivamente. Agregados, batizados adultos e mães dos inocentes provinham da África Central em 67,3% dos casos, 15,9% da África Ocidental e 16,8% da África Oriental.
http://209.85.229.132/search?q=cache:RfwqSB2oXe8J:www.rj.anpuh.org/Anais/1998/autor/Roberto%2520Guedes%2520Ferreira.doc+Livro+de+Batismo+de+escravos+da+Freguesia+da+S%C3%A9+da+cidade+do+Rio+de+Janeiro&hl=es&ct=clnk&cd=3&gl=es

viernes, 20 de febrero de 2009

Liberdade disciplinada: relações de confronto, poder e saber

dibujo:'A NEGRO FIGHT IN SOUTH AMERICA' (VENEZUELA) herper´s weekli 1874.


Liberdade disciplinada: relações de confronto, poder e saber
entre capoeiras em Santa Catarina.



Freyre (2004), ao encontrar “cabeçadas” de “homens de cor” nas milícias, supõe a operação de “técnicas de capoeiragem” alinhada às instituições:
[...] Sinal de que algumas milícias coloniais, na segunda metade do século XVIII, seguiram, com relação aos exercícios de capoeiragem, política ainda mais avançada que a dos capitães-generais com relação às danças de negros e aos batuques: a política de não só tolerá-los como de absorver-lhes valores e técnicas, no interesse da comunidade. À causa da segurança pública só podia ser útil a presença, entre oficiais das milícias, de homens de cor que fossem também campeões da capoeiragem. O caso, ao que parece, não só do tenente Moreira como do soldado Novais (p. 653).http://books.google.es/books?q=%22campe%C3%B5es+da+capoeiragem%22+Moreira+como+do+soldado
No reinado de D. Pedro I, nas reformas que seguiram a independência, além da criação de regimentos de mercenários estrangeiros, “organizaram-se unidades de pretos forros e reformaram-se os caçadores” (LOPES, 1946, p. 52). Na primeira “lei de fixação de forças”,
de 24 de novembro de 1830, o grosso do exército constituía-se por “12.000 praças de pretos, além dos inferiores, tambores, pífanos, cornetas e trombetas correspondentes aos corpos das
três armas” (p. 53). No período, quando o termo capoeira já dava significação a sujeitos, surgem também os registros sobre a presença de “capoeiras” e de conhecedores de “capoeiragem” nas instituições de segurança.
http://www.mover.ufsc.br/pdfs/2006_ANNUNCIATO_Liberdade_Disciplinada.pdf

Os Desordeiros

Nesta ilustração, de J. Wasth Rodrigues, inserida em O Rio de Janeiro no Tempo dos Vice-Reis de Luís Edmundo, vemos um mestiço capoeira, numa atitude típica, agressiva, e preliminar, quando enfrentava um êmulo: ostentando entre a dentuça a choupa, e desvencilhando-se do manto de saragoça e do chapéu.




DIBUJO:Jornal"O malho" 1904.http://www.capoeira-infos.org/ressources/textes/t_melo_morais_filho.html

FOTO:Capa de Saragoza,típica dos capoeiras de Rio de Janeiro.

Os desordeiros: do mundo do crime ao mundo da cultura
Rodrigo Janiques Vieira
Monografia apresentada para conclusão do curso de licenciatura em História.
Orientador: Professor Dr. Valeriano Altoé


Capoeiras, capoeiras! gente que com a testa faz n´um instante mais espalhafato que meia dúzia de Godans ébrios a jogarem o soco; gente que com a faquinha n´uma mão e o copo na outra afronta o mais intrépido valentão, mete às vezes uma patrulha no chinelo, fazendo-a amolar as gâmbias com a maior frescura do mundo; gente gárrula, provocadora, que só guarda as esquinas ou as praças do mercado, rebuçada às vezes em uma velha capa, trazendo o seu cacetinho por disfarce. Eis os capoeiras!

O CORREIO DA TARDE, Rio de Janeiro, 3/11/1849

2 AS RAÍZES DA CAPOEIRA


......................Demorou algum tempo para que a capoeira escrava do Rio imperial fosse vista pelos olhos de um cronista ou literato. Elísio de Araújo, em seu memorial da polícia carioca, faz uma narrativa brilhante:

A existência da capoeiragem é um fato incontestado na administração policial de Paulo Fernandes Viana. Reunidos nas tabernas, nas mais baixas ruas, ou nos terrenos devolutos, os pretos africanos e os mestiços do país (...) exercitavam-se em jogos de agilidade e destreza corporal, com imenso gáudio dos embarcadiços e marujos, que entre baforadas de fumo, impregnados de álcool, gostosamente apreciavam tais divertimentos. http://books.google.es/books?id=7tLGfv_zQd0C&pg=PA135&lpg=PA135&dq=jogos+de+agilidade+e+destreza+corporal,+com+imenso+g%C3%A1udio+dos+embarcadi%C3%A7os+e+marujos&source=web&ots=P0-1rqaJbU&sig=mIzuD4jnoUikv7adsjokB0hTEn8&hl=es&ei=NtaeSfyZKuKYjAeW8bDLCw&sa=X&oi=book_result&resnum=2&ct=result

Elísio de Araújo ainda descreve, no caso do século XIX, a capoeiragem jogada nos princípios do século, quase cem anos antes. Sua vivaz narrativa detalha como surgiram, posteriormente, as maltas, os temíveis grupos de escravos que assustavam o Rio joanino.


....................Os meados de 1810 assistem o crescimento tenaz da atuação das maltas de capoeiras na cidade, o que resultou em uma grande atividade repressiva por parte da polícia imperial. Os ocorridos ficaram cada vez mais intensos que no decorrer do ano de 1814, aumentam progressivamente e espantosamente as devassas mandadas contra os indivíduos encontrados na posse de navalhas ou acusados de serem os autores dos ferimentos feitos com esta arma.


2.1 Um debate sobre a origem do capoeira

A versão para o berço da capoeiragem partiu do imigrante português Plácido Domingo.Vale ressaltar que esta versão fez escola. É um trabalho difícil estudar a capoeiragem primitiva, porque não é bem conhecida sua origem. “Uns atribuem-na aos pretos africanos, o que julgo um erro, pelo simples fato que na África não é conhecida a nossa capoeiragem, e sim algumas sortes de cabeça.” (Soares, 2001, p. 40).
E o mesmo autor ainda sugere que,

Aos nossos índios também não se pode atribuir porque apesar de possuírem a ligeireza que caracteriza os capoeiras, contudo não conhecessem os meios que estes empregavam para o ataque e a defesa. O mais racional é que a capoeiragem criou-se, desenvolveu-se se aperfeiçoou entre nós.

Foi desta forma que nasceu a versão original e da origem nacional da capoeira, que até os dias de hoje continua sendo um tema polêmico entre os pesquisadores da área.
Algum tempo depois o pesquisador Pires de Almeida, já na onda do resgate da capoeiragem como “ginástica nacional”, no apogeu da belle époque, traduzia o embate das idéias sobre a origem africana.

As origens desse jogo prense-se inquestionavelmente às danças guerreiras de tribos ou nações africanas, quando menos nos lances primitivos como muito bem demonstra a tradição conservada pelas estampas de insuspeitos de viajantes que aqui tivemos. (Soares, 2001, p. 42).


2.2 Etimologia do termo capoeira

O jornal Rio Sportivo, do então Distrito Federal iniciou a publicação de uma série de artigos com o título pitoresco de Capoeiras e capoeiragens http://www.capoeira-infos.org/ressources/textes/t_melo_morais_filho.html . O primeiro artigo pertenceu ao arquiteto e historiador Adolfo Morales de Los Rios Filho. Este usava um refrão que era comum entre os cronistas e homens de letras que discutiam o tema, ele defendeu “a capoeira como arma de defesa pessoal, tão poderosa como o boxe britânico e norte-americano, a savate francesa e parisiense, o jiu-jítsu japonês e a clássica luta romana.” Este resgate era bastante oportuno no momento em que o esporte alcançava cada vez maior público, isso ocorreu primordialmente na capital.


2.2 Etimologia do termo capoeira


..................Aqui ele descreve de forma brilhante o capoeira da primeira metade do século XIX: “Mata-Mouros, freqüentador de tascas, empreiteiro de crimes e surras, auxiliar de políticos, guarda-costas dos homens de prol e guardião das senhoras requestadas pelos “Dom Juan’ cariocas”.
Luís Edmundo reconstrói e projeta uma imagem romântica que tinha feito furor entre os memorialistas do Rio de Janeiro:

Alguns usavam capas de saragoça envolvendo todo o corpo. A maioria de pés no chão, outros calçavam tamancos de alpergatas de palha. Mas todos traziam no pescoço um escapulário com o santo ou santa de devoção ou da sua freguesia. Diante do olhar embasbacado dos circunstantes- soldados, rameiras, pés-rapados, ciganos, lavadeiras, aguadeiros, quitandeiras; o capoeira entra em cena. (Soares, 2001, p. 51).


A capoeira na Armada

Os anos de 1830 foram marcados pelo medo da sublevação militar, tanto como da insurreição escrava. Os motins dos soldados causaram grandes preocupações para a elite política. E, entre os militares de baixa patente que traziam dor de cabeça, para os governadores, estavam os marujos da Armada.
Os marinheiros eram tidos como notórios arruaceiros e fator de desordem nas cidades costeiras. Acostumados a um regime de extrema violência a bordo, estavam calejados para enfrentar a truculência cotidiana da polícia, quando desembarcavam de folga. (Soares, 2001, p. 291). A capoeira deveria ser um instrumento eficiente para lidar com os magotes policias que circulavam pela cidade à noite.


................Os capoeiras também tinham a noite como momento preferido para reuniões e atividades, decerto para escapar da vigilância policial. Muitas vezes, o capoeira e o marujo habitavam o mesmo indivíduo.

Ontem às 9 horas da noite foi preso no meu distrito o preto Firmino, que diz ser forro e ter praça de marinheiro a bordo da Escuna de Guerra Itaparica por estar com outros pretos de capoeiragem, de que está ferido na cabeça, e já o mandei curar e o remeto a V. Exc. para que, sendo verdade o que diz, lhe dê destino e, quando não, o fará regressar para este juízo a se fazerem as indagações necessárias.


É claro que tais braços eram obtidos da forma mais violenta e arbitrária possível, aprisionando todos os que fossem encontrados vagando, mesmo marinheiros empregados em navios mercantes, e os levando à força para a Armada. A intenção da polícia, era tão somente, capturar tantos marinheiros quanto fosse possível e engajá-los contra a sua vontade na guerra.
É interessante o número de desertores na Marinha de Guerra. A experiência da fuga, desta forma era mais um mecanismo compartilhado por escravos, capoeiras e marinheiros, “deve ter estreitado laços de camaradagem, mesmo com marujos estrangeiros.”, como apontou Manolo.


http://www.pedagogiaemfoco.pro.br/hrio02.htm

domingo, 15 de febrero de 2009

Capoeira de Early y Debret e da Africa Oriental?

nota del pesquisador:Observamos en el grabado de Early y Debret ,comparandolos ,aparece un "Chapeu vermelho" de Mozambique .Será la Capoeira de Early y Debrt el Moringue o Ringa de l Indico-Madagascar ó Reunión?

FOTO:Guerrero Antandrony-Madagascar



FOTO:Le Fitampoha Les Sakalava du Menabe-Practicantes de Ringa Malgache :http://madagscar.blogspot.com/











Pintura de Mozambique:Moçambique, na segunda metade do Século XVIII.
Administração e Ciência na construção de um padrão textual iluminista sobre Moçambique, na segunda metade do Século XVIII.Tese elaborada por José Roberto Braga Portella







FOTO:Homan-Ilha de Moçambique-2006





























ABAJO:A_Bush_Negro_(Maroon)_Chief,_Surinam,_1839_pierre_jacques_benoit