lunes, 19 de enero de 2009

Vida a bordo dos navios -Indias


..............Sucedendo às etapas de navegação relativamente curtas que uniam o continente às ilhas atlânticas ou que haviam proporcionado o reconhecimento sistemático da costa ocidental africana, a permanência no alto mar alargou-se definitivamente no tempo e no espaço com o estabelecimento, logo no início do século XVI, de uma ligação anual regular entre Lisboa e o Oriente – a Carreira da Índia. De facto, nenhum outro momento das navegações portuguesas determinou a existência de uma micro-sociedade embarcada, sujeita a severas regras de conduta, impostas por uma hierarquia estabelecida de molde a zelar por todas as componentes da vida no mar...............Tratava-se, pois, de encontrar formas de ocupar o espírito, com recurso tanto ao âmbito do profano como do religioso. Quanto à primeira vertente, qualquer acontecimento benéfico que quebrasse a rotina servia de pretexto para festejar. Do mesmo modo, os hábitos de terra viam-se transpostos e adaptados à vivência a bordo, destacando-se os jogos de azar, os quais, apesar de proibidos por degenerarem facilmente em altercações e violência, eram tolerados enquanto uma das raras diversões existentes, apesar da crítica dos religiosos embarcados, verdadeiros agentes da observação da moral e bons costumes. Simulavam-se touradas, utilizando canastros empurrados ou largando no convés os tubarões que se deixavam enlear nas redes de pesca, existindo ainda registos da representação de peças teatrais, sobretudo de teor sacro.
http://www.instituto-camoes.pt/cvc/navegaport/d36.html


a Carreira da Índia era uma viagem marítima que percorria toda a costa ocidental africana até ao Cabo da Boa Esperança, com uma primeira paragem para reabastecimento em Cabo Verde.
Atravessado o Cabo da Boa Esperança, entravam no Oceano Índico, percorriam a costa oriental de África, onde faziam nova paragem em Moçambique e seguiam então até à Índia.
Mesmo sem imprevistos, como tempestades ou ausência de vento, era impossível fazer esta longa viagem em 3 ou mesmo 6 meses...
Otra cita:Los marineros combatían el aburrimiento pescando, cantaban canciones, tocaban instrumentos musicales: flauta, dulzaina, etc... Algunos jugaban a escondidas -los juegos de azar estaban prohibidos a bordo- a los naipes o a los dados. Siempre había quien narraba fabulosas aventuras imaginadas, leída o recordadas de algún libro de caballería.
Aquellos marineros eran valientes, expertos y audaces, y disputaban a las tempestades la salvación de sus buques. No hablaban los marineros más que de las personas ausentes, de los objetos de su cariño, padres, hijos, hermanos, esposas y prometidas; recordaban las funciones del pueblo donde nacieron, la festividad del santo patrono, la velada o verbena donde en alegres corrillos, se bailaba al son de los cantos populares y de la animada guitarra; soñaban con la elevada torre de la iglesia de su aldea, cuyas campanas volteaban en unión de otros revoltosos compañeros, ~ mezclándose a tan sencillas memorias el natural tentar de no volver a gozar de aquellos placeres.5
Además de la lista de actividades indicadas, los marineros organizaban pequeñas competiciones bién entre ellos o con animales (cerdos y conejos).

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