sábado, 19 de febrero de 2011

1758- GOIAZ- Gonçalo valentao chefe de malta

(pag 23-24),CAPITULO I, O VALENTÃO

Na cidade de Goiáz, antigamente Villa-Boa, existia, há mais de um século, um moço que por suas turbulências e espirito de valentia tinha adquirido a mais estrondosa nomeada por todas aquelas paragens.
Era filho de pais abastados e de boa família; porém educado à larga, abandonado desde a infancia a si mesmo, sempre em meio de más companhias, dotado além de tudo de indole inquieta e fogosa, este rapaz, que poderia ser um homem de bem e útil à sociedade, se uma educação regular tivesse dado salutar direção aos instintos de sua natureza, foi-se tornando um valentão famoso, talhado a molde para as galés ou para o patíbulo. Gonçalo, que assim se chamava, aplicou-se com ardor desde criança ao manejo de armas de toda a qualidade, a domar animais bravos, a caçar, a nadar, enfim a toda sorte de exercícios do corpo os mais rudes e perigosos. E, com efeito, neste ponto sua educação foi completa; aos vinte anos de idade não havia em toda a capitania quem com mais destreza esgrimasse uma chavasca, quem tivesse olho mais certeiro para uma pontaria, quem melhor se segurasse nos. arreios, aguentando os corcovos do burro o mais chucro, e quanto ao nadar, só poderia competir cem ele a lontra, ou a capivara. Era também agilissimo no jogo da faca; com os pés atados bem juntos e com uma faca em punho desafiava a qualquer, e com tal destreza se defendia qiie nem assim o podiam tocar. ……………………………Mas em vez de pôr ao serviço da pátria e da liberdade sua grande força e valentia, como aquele herói, Gonçalo, áspero e turbulento por natureza e por mania, atirou-se em corpo e alma na carreira da devassidão e tornou-se um completo vadio, um famoso desordeiro.
(pag 27)……………..Zombava da justiça, que naquele tempo e naquelas paragens parece que nenhuma força tinha. Gonçalo muitas vezes dispersou e espancou as milicias encarregadas de prendê-lo por ocasião de alguma das suas falcatruas. Ele as espalhava a pontapés, como quem arreda com a ponta do pé um tropeço que encontra em seu caminho.
Demais, Gonçalo tinha por si grande número de parceiros, vadios e bandidos como ele, que o temiam e respeitavam, e com os quais contava em ocasião de aperto. Era uma malta de rapazes ociosos e devassos, da qual êle por sua superioridade em forças e destreza e por sua riqueza e generosidade era o cHefe natural. Pofito que temido como uma onça e respeitado entre seus camaradas pela sua valentia, Gonzalo não deixava de ser estimado e em qualquer folguedo a sua presença era indispensável, pois era o companheiro mais alegre e folgazão que se conhecia. Ninguém com mais primor sabia pontear uma viola, cantar modinhas e lundus ou sapatear com mais desgarro e desenvoltura em uma sala de batuque.
fuente: Ermitão do Muquem (1858), Author: Guimarães, Bernardo, 1825-1884, Publisher: Rio de Janeiro : Editora panamericana, Language: Portuguese

3 comentarios:

AEC dijo...
Este comentario ha sido eliminado por el autor.
AEC dijo...

« Con un teatro lleno, como pocas veces se ha visto en la sala de San Martín, tuvieron la fortuna de iniciarse los asaltos en que ha de intervenir el campeón francés Merignac, quien, sin duda, guardará grato recuerdo de la afición demostrada por nuestro público á la esgrima, pero que también podrá dar fe de la
falta de educación de ese mismo público que ha parecido querer demostrar hasta qué punto es guarango, por poco que en ello se empeñe. — Las noches de batuque en los circos de las orillas resultan sermones de soledad ante lo ocurrido en el San Martín anoche.
Ya no de lamentable, sino sencillamente bochornoso para nuestra tan decantada cultura, debe tildarse la conducta de esa masa de hombres que se había aglomerado para lanzar epítetos groseros é insolencias de grueso calibre sobre cuantos tiradores se presentaron sobre la pedana. >> {Diario La Nación, de Bs.
Aires, de 7 de mayo de 1902.)

BLOG del Pesquisador dijo...

Entre os comparsas de Gonçalo havia um que, além de ser seu particular amigo, era o único que ousava
rivalizar com ele em força e destreza. Era um rapaz por nome Reinaldo, robusto e bem-feito, e geralmente estimado
por sua franqueza e lealdade, e que ainda não se tinha deixado inteiramente eivar do espírito de desordem e
devassidão dos seus companheiros. Nos exercícios de luta, esgrima e outros era o que dava mais trabalho a Gonçalo,
e por vezes acontecia ficar indecisa a vitória. Como era ainda muito moço tinha esperança de uma dia igualar, senão
exceder a seu amigo em vigor e agilidade.