lunes, 9 de febrero de 2009

1969-Reflexiones de Pastinha y Jorge Amado

Journal :Bimba no Rio de Janeiro :https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhsNvFGakL32fZc18dxZ5yFfQJCPcwcV3ztp0TuaOper5pAztihNit5GRZEs0LuX88GFF7YvYoX_LIrgjyoE-T0g600u7OBw39QyV77Jk_UVIxOyZLeuF9Y_6x3TtSAfBHJJ3fgtbe-I9EB/s1600-h/sinhozinho.gif
foto:Pastinha e Jorge Amado.


..............No entanto, essas novas representações da luta afro-brasileira, que a integraram à esfera do folclore e ao contexto das exibições turísticas, alteraram a sua maneira de ser praticada. A capoeira começou a ser vista como um espetáculo, o que a levou a um flagrante processo de pacificação. Essa mudança pode ser sentida no próprio discurso de mestre Pastinha:
No começo é que foi bom, capoeira era luta mesmo, era briga mortal. Por isso é que não pode ser esporte (...). Para o capoeirista brigar, tem que dar o golpe com força mortal. Por isso que agora se faz o jogo de capoeira à distância maior que o normal, mais lenta, para não acertar, para não matar ninguém. (O Estado de São Paulo, 16 de novembro de 1969.

...............O escritor Jorge Amado também reage às transformações realizadas por Bimba, publicando o seguinte trecho, em que afirma abertamente a sua posição:


Trava-se atualmente nos arraiais da capoeira na Bahia uma grande discussão.Acontece que mestre Bimba foi ao Rio de Janeiro mostrar aos cariocas da Lapa como é que se joga capoeira. E lá aprendeu golpes de catch-as-catch-can, de jiu-jitsu, de boxe. Misturou tudo isso à capoeira de Angola, aquela que nasceu de uma dança dos negros, e voltou à sua cidade falando numa nova capoeira, a “capoeira regional”. Dez capoeiristas dos mais cotados me afirmaram, num amplo e democrático debate que travamos sobre a nova escola de mestre Bimba, que a “regional” não merece confiança e é uma deturpação da velha capoeira “angola”, a única verdadeira. (Amado, 1958: 185)




nota del pesquisador :
Andre Luiz Lacé Lopes: ATLAS - Capoeiragem
Escrito por Andre Luiz Lacé Lopes
Terça, 10 Janeiro 2006

1944 AMADO, Jorge. Bahia de todos os santos (1º Edição). 21a. edição revista e atualizada. São Paulo: Martins, 1971. O livro foi publicado pela primeira vez no ano de 1944. Como todas as obras de Jorge Amado, esta também vem sendo reeditada constantemente e lançada em várias outras línguas pelo mundo afora. A partir da 22º edição, entretanto, um substancial e revelador parágrafo foi suprimido. Justamente o que menciona uma visita de Mestre Bimba ao Rio de Janeiro onde foi surpreendido pela alta eficácia da capoeira carioca. Especialistas em Bimba e em Amado defendem que o trecho foi apenas uma fantasia do grande escritor.

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